Baianos e gaúchos chegam para a 70ª Regata Santos-Rio após saga

Foram 12 dias de viagem para o Marujo´s e 17 para o Five Stars, barcos campeões em 2001 e 1980 que serão dois dos doze homenageados

Veleiro Marujo´s no Iate Clube de Santos / Divulgação

Quem chegou no fim da tarde desta quarta-feira no Iate Clube de Santos para a 70ª Regata Santos-Rio foi o veleiro Marujo´s do baiano Gerald Wicks. Ele veio direto de Salvador (BA) do Aratu Iate Clube, dentro da Baía de Todos os Santos, e veio pela primeira vez para a Santos-Rio pela importância da 70ª edição e também pois será homenageado pela conquista de 2001 no barco que se chamava Neptunus X comandado na época pelo carioca André Mirsky, filho do lendário Sérgio Mirsky. Wicks adquiriu o barco há uma década.

Gerald, que começou a velejar em Itapuã há mais de 40 anos, saiu da capital baiana no dia 10 de outubro e fez sua viagem por 12 dias até chegar ao Iate Clube de Santos, uma saga com alguns percalços no caminho: "A intenção era vir parando no caminho, mas tivemos muitos problemas com vento forte contra, tivemos avarias importantes, rasgamos vela, monitor estourou, cabo que arrebentou, tivemos que retornar pro porto anterior. Estavámos quase em Abrolhos, retornamos para Ilhéus (BA) para esperar a frente fria passar. Em Vitória (ES) ficamos dois dias parados esperando outra frente passar, depois fomos para Ilhabela (SP) e chegamos aqui. Vamos fazer os devidos reparos necessários nesta quinta-feira para chegar bem na sexta".  

O veleiro estará na raia na classe ORC concorrendo diretamente com fortes veleiros como o Avohai de Lars Grael, o Blue Seal, com Martine Grael, e o Crioula 29, com Samuel Albrecht.

"Acredito que se fizermos tudo certinho na regata conseguiremos chegar em uma posição boa. Sempre competirmos na classe ORC, a mais competitiva. Pro nosso perfil achamos que é a que mais se encaixa. Nosso barco é rápido, não sei se iremos bem no tempo corrigido, mas no real vamos tentar chegar perto dos ponteiros. A previsão de contra-vento não me assusta, só teremos mais horas velejando, se o vento ficar muito forte vai ficar desconfortável, mas estamos prontos. Quem veleja no mar não pode escolher muita coisa, é regular as velas e seguir adiante".  

FiveStars / Divulgação

Outro barco que veio de longe foi o Five Stars, com tripulação de seis pessoas, todos gaúchos, direto do Iate Clube Guaíba, em Porto Alegre (RS). Foram 17 dias de viagem. O veleiro, construído em 1979 para disputar prova na Holanda, foi o campeão em 1980 na Regata Santos-Rio e chega como um dos poucos da história da regata com o status de ser totalmente fabricado e projetado no Brasil.

"Nunca viemos para a Santos-Rio. É o local mais longe para competir que nos deslocamos. Viemos pelo aniversário das 70 edições, homenagem e também porque o barco foi um dos poucos com projeto totalmente brasileiro campeão da Santos-Rio.  Saímos de Porto Alegre, paramos em Rio Grande (RS), depois demos um tiro até Porto Belo (SC), depois decidimos só velejar de dia, paramos em Itajaí (SC), ilha de São Francisco (SC), ilha do Bom Abrigo (PR), quase entrada de São Paulo, e viemos direto para cá  Como mantemos uma média acima de 5 nós, e com vento fraco acionamos o motor, não tivemos avarias", disseram o comandante Luiz Fernando e o capitão Volney Lima que vão correr com perspectivas de chegar ao Rio de Janeiro com segurança diante das condições adversas previstas: "Ele é bom de contra-vento, mas é um barco de 41 anos, não queremos forçar muito, vamos colocar uma vela adequada, sem forçar a tripulação, vamos com segurança".

Luiz Fernando à esquerda e Volney Lima à direita no FiveStars / Divulgação

Além dos grandes nomes descritos acima, a 70ª Santos-Rio terá outros medalhistas olímpicos como Kiko Pelicano e Isabel Swan, campeões Mundiais como Maurício Santa Cruz, Samuel Gonçalves, velejadores que estarão na Olimpíada de Tóquio 2021 como Samuel Albrecht. Pedro Trouche, campeão da Star Sailors League em 2018, também marcará presença. 

O evento terá dois barcos, o Bravo e o Sexta-Feira, com doze tripulantes de projetos sociais de Vela, o Grael, de Niterói (RJ), e Navega São Paulo, de Praia Grande (SP), a maioria de comunidades carentes e que arrecadaram dinheiro por uma vaquinha virtual para estarem na competição.

Veleiros Clássicos também serão brindados e vão disputar o troféu La Belle Classe oferecido pelo Iate Clube de Santos em parceria com o Yacht Club de Mônaco que realiza a regata mais antiga do mundo. 

O veleiro Aventura, de 1957, é o mais antigo da raia. De madeira e reformado há dois anos, ele é um destaque à parte. Foram 40 anos competindo no Rio Grande do Sul, onde foi construído, e desde 2008 está baseado em Angra dos Reis (RJ).

Os barcos vão disputar as categorias ORC, IRC, BRA-RGS, BRA-RGS Clássicos e Mini-Transat.

Lembrando que a vela de oceano estará no programa dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

Acompanhamento online da 70ª Santos-Rio

A 70ª Santos-Rio poderá ser acompanhada online em tempo real tanto pelas famílias como imprensa e demais pessoas pelo  sistema SPOT Brasil, subsidiária da empresa americana Globalstar Inc, que fará o rastreamento dos veleiros. O link será o http://app.dotshow.com.br/eventos/regatasantosrio/ . 

Após a disputa da 70ª Santos-Rio será realizada a 51ª edição do Circuito Rio entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro com organização do Iate Clube do Rio de Janeiro. O Circuito Rio valerá como o Campeonato Brasileiro da classe ORC.


Veleiros Homenageados no Desfile de Sexta-Feira (ano do título e nome do veleiro):

1959 - Cangaceiro
1971 - Buscapé
1978 - Krishna
1980 - Five Stars
1995 - H3+
2001 - Neptunus X - Agora chamado de Majuro´s 
2007 - Sorsa III
2011 - Magia
2013 - CBVela/Rudá
2015 - Angela Star - Agora chamado de Xamã
2018 - Felciuno - Agora chamado +Bravíssimo
2019 - CBVela/Rudá


A 70ª Regata Santos-Rio tem a organização do Iate Clube de Santos e do Iate Clube do Rio de Janeiro e conta com os apoios da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, a ABVO, da CBVela, e da Prefeitura de Santos.