Conhecimento para compartilhar: Panorama sobre balões simétricos em veleiros de oceano

Existem dois tipos de balões simétricos: os “runnings” e os “reachers”!
Um balão “running” é projetado e construído para velejar com ventos mais folgados, predominantemente pela alheta e popa, aproximando o mais possível a proa do barco à marca de sotavento. Por simples convenção esses simétricos recebem numeração par: S2 para ventos fracos e médios; e S4 para ventos fortes, acima de 20 nós, em faixa ainda possível de velejar com o balão sob controle.
Já um “reacher” possui características que permitem aumentar a tolerância para “orçar” com o balão, assegurando maior controle e melhor desempenho do barco na medida em que o vento verdadeiro se aproxima da popa para o través, ou do través para a proa. São numerados de forma ímpar: S1 e S3, observando em proporção direta a intensidade do vento.
Todo velejador sabe que com vento fraco será necessário tirar o barco da popa rasa para imprimir velocidade aceitável e “fazer o barco andar”. Portanto, o S1 será um balão mais leve, construído em formato mais afeito à orça, mais “achatado”, e que, normalmente, exigirá menor quantidade de energia para encher.
Também é interessante observar que em regatas do tipo “barla-sota”, na pernada de sotavento, quanto mais arribado o barco navegar, menor será o ângulo compreendido entre sua Proa e o objetivo (marca de sotavento); este é, exatamente, o conceito de “VMG” (“velocity made good”, em inglês)! Ou seja, durante a velejada quanto mais a proa se aproxima do objetivo, maior será a VMG, e, dessa maneira, mais rapidamente será alcançada a próxima marca desde que, efetivamente, navegando com a maior VMG possível para as condições.
Contudo, existe uma dificuldade representada pela solução de compromisso entre arribar e ganhar VMG, mas reduzindo a velocidade do barco na água, ou orçar e adquirir maior velocidade, pagando o preço de reduzir a componente VMG, afastando a proa do objetivo. Creio que esse “dilema” pode ser resolvido de três formas:
 1) observando os cálculos registrados no Certificado do Barco (ORC) que recomendam o ângulo ideal para cada condição, traduzido pelo TWA (True Wind Angle) indicado;
 2) usando os instrumentos de bordo que calculam dinamicamente e apresentam o VMG instantâneo para as condições do momento; e, finalmente;
3) desfrutando da intuição inata de alguns “privilegiados” ou a sensibilidade habilmente desenvolvida na prática pelos melhores velejadores, lembrando que nada substitui o homem que sabe interagir corretamente com seu veleiro e com a natureza (!).
Exercitando a imaginação, podemos exemplificar que na perna de sotavento não adianta acelerar o barco orçando para obter 9 nós e resultar VMG de 4, ao passo que arribando e andando aos 6 nós, eventualmente, você pode obter VMG de 5. Em abordagem singela este será, sempre, o mencionado “dilema” que quando bem resolvido fará seu veleiro alcançar na frente a marca de sotavento.
Em resumo, é recomendável possuir no “enxoval” de balões um S1, menor, leve e mais “achatado”, para fazer o barco andar sob brisa leve; um S2, maior, médio-leve, “barrigudo”, para andar empopado desde que haja energia suficiente para encher o pano (normalmente, vento acima de 10 nós); um S3, médio, nem tão “chato” e nem tão “barrigudo”, tolerante à orça e ainda bem rápido na velejada pela alheta, para ser usado nessas condições e na faixa de vento superior a 8 nós; e, finalmente, umS4, mais pesado, menor, mais “forte” e menos “barrigudo” para velejar com vento pela popa acima dos 20 nós e em faixa que assegure o perfeito controle do barco.
Outra vantagem ao observar a “notação” que deve estar devidamente marcada nos respectivos “sacos tartaruga” será simplificar a referência e informação passada ao Proeiro quando for escolhido o próximo balão a ser içado. Mas, há os que preferem dizer “iça o branco” ou “prepara o amarelo”, no lugar de S2 ou S3. O que importa, mesmo, é ter domínio sobre as características do pano, e processar, com consciência, a melhor escolha.