Estrelas da vela disputam o II Virtual Skipper Brasil Cup

Três grandes nomes da vela brasileira confirmaram presença e começaram a disputar, na noite desta segunda-feira, o II Virtual Skipper Brasil Cup, evento virtual online de Vela de Oceano do game Virtual Skipper, febre entre os amantes e praticantes do esporte que tem mais de 330 mil velejadores cadastrados no mundo todo.
Henrique Haddad, o Gigante, campeão mundial daclasse Snipe, em Ilhabela (SP), no ano passado, entrou na disputa com o barco FullAHEAD, do Iate Clube do Rio de Janeiro, e terminou o primeiro dia de três regatas no 11º lugar vencendo a segunda regata com mais um sexto e um oitavo lugares.
“Sempre gostei do jogo, jogava bastante na época que corria no Match Race, participei até de um Mundial de Match Race do game. Achei legal que o game voltou a bombar agora nessa quarentena, tem uma simulação de regata bem próxima da realidade”, disse Henrique: “Tenho mais expectativas de me divertir com os amigos no II Virtual Skipper Brasil Cup, bem legal montar um campeonato entre a galera, de se entreter. Sentimos muita falta da água salgada, mas nessas regatas conseguimos ter parte desse sentimento”.
Henrique vem disputando a classe 470 na vida real atualmente e estava prestes a disputar o Mundial da classe que valeria vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio, agora adiados para 2021: “Ninguém esperava por essa parada, as classificatórias foram para outubro, pra mim pelo menos é mais um ano de preparação, pra chegar bem, mais um tempo que ganhamos. Além da 470 nesseano velejarei um pouco da J70, um pouco de Oceano, HPE25, o que não for atrapalhar na campanha da 470”.
Gigante, que disputou a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro, lembra com carinho sua conquista no Mundial de Snipe conquistado ao lado de Gustavo Nascimento: “Foi muito especial, é uma classe que sempre velejei, mas parei um pouco para a campanha Olímpica de 2016 e agora para essa em Tóquio, Snipe é uma classe tradicional que sempre velejo campeonatos estaduais. Vou guardar com carinho aquela conquista a disputa na última regata vencendo por um ponto”, lembrou.
Outro grande nome é de Pedro Trouche, natural de Niterói (RJ), do Clube Naval de Charitas, que foi, no final de 2018, campeão da Star Sailors League, competição com os dez melhores do mundo (mais wildcards com outros grandes nomes) na classe Star, ao lado de Jorge Zarif, em Nassau, nas Bahamas. Eles superaram na época o multicampeão olímpico Robert Scheidt e Henri Boening.
Trouche começou a disputa do II Virtual Skipper Brasil Cup com um quarto lugar no geral após o primeiro dia somando um segundo, um terceiro e um quinto lugares no barco Bolder53, em homenagem ao barco com mesmo nome quando navegava na classe Optmist e depois nas classes Laser e Finn.
“Tenho o jogo baixado há alguns anos, talvez uns 5, mas a última vez que mexi antes dessa quarentena foi em maio de 2018. A partir daí fiquei um período embarcado em uma viagem de veleiro. E agora jogo toda a semana, diria que 2 até 3 vezes”, disse Trouche que é o atual campeão Sul-Americano da classe Star e vinha de um quinto lugar na disputa da 93ª edição da Bacardi Cup, tradicional evento realizado em Miami. A chegada da quarentena por conta da pandemia acabou freando o bom ritmo que o velejador.
“Grande frustração com essa parada, já vinha de cinco competições internacionais, algumas na Flórida, de Star e também na J70 onde tenho calendário extenso pelo mundo, estava em um momento de crescimento muito grande. Com a quarentena tenho meia dúzia de eventos cancelados ou adiados. Isso fez com que a parte financeira sofresse um baque. Se as coisas melhorarem no sentido onde possa treinar no Brasil a partir do final de maio , viajar internacionalmente a partir de julho ou agosto para treinar lá fora e competir ainda fico numa situação confortável. Tenho ficado em casa com minha noiva, tenho mantido um banco de escora para manter meu condicionamento físico em dia. E como hobbie tenho cuidado do jardim e plantas aqui de casa, decorando a casa, com tempo para organizar meus troféus. Imagino que a partir de setembro venham uma série de eventos seguidos e calendário apertado. Estou grato por minha família estar bem em casa diante da pandemia”, disse Trouche que vem ajudando seus pais com compras básicas de comida uma vez ambos estão no grupo de risco, principalmente seu pai que teve câncer há pouco tempo.
Trouche tem o título da Stars Sailors League como “especial” e grande “abridor de portas” na carreira, mas ainda persegue o sonho do título Mundial da Star: “Meu objetivo é ser campeão mundial da classe star quero muito chegar nesse nível. É super tradicional e existe grandes lendas que colocaram seu nome nela, em 2022 teremos a 100ª edição do evento. Quero muito poder colocar meu nome nesta taça e até lá conseguir continuar escrevendo meu nome em outros grandes eventos da classe”, apontou o niteroiense que também corre alguns eventos de Vela de Oceano como a tradicional Santos-Rio e a Refeno.
Outro forte nome na disputa é Mario Trindade que foi campeão dos Jogos Mundiais Militares em 2011 na equipe do Brasil. Ele fechou o dia na segunda posição com um quinto lugar e dois segundos.
Gaúcho ex-número 1 do mundo sai na frente no primeiro dia
Gaúcho de Porto Alegre, Fernando Cavalli, da Veleiros do Sul, fechou o primeiro dia na frente. Ele encerrou a primeira regata em quarto e venceu a segunda e a terceira. Fernando foi número 1 do mundo do Virtual Skipper em 2015 e 2016 e é o atual 10º do ranking.
Cavalli, de 44 anos, veleja desde os 7 anos de idade, tendo competido nas classes Optmist, Europa, Snipe, Soling  e barcos de oceano. Atualmente veleja pelo San Chico de Porto Alegre e no Zeus , de Florianópolis (SC).
“Comecei a jogar o virtual skipper há 7 anos e durante doi anos finalizei o ano em primeiro do ranking mundial. Com a quarentena voltei a ter mais tempo e tenho jogado novamente diariamente”, disse: “O campeonato está muito legal, bem organizado. Vi muita gente nova competindo e tenho certeza que logo vamos ser um dos países que terão mais praticantes.
O Biro Biro, do comandante Paulo Neto, do clube P27, fechou o primeiro dia no terceiro lugar com uma vitória na última regata, um segundo e um quinto lugares.
Os quase 50 barcos inscritos foram separados em dois grupos e nesta quarta-feira serão misturados em mais três grupos em disputa do game simulando as águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Os melhores disputarão a Série Ouro e os que ficarem mais abaixo disputam a Série Prata lutando por troféus e prêmios mais voucher que a empresa NAUTOS oferecerá aos três primeiros em cada Série. As finais serão na semana que vem na próxima segunda-feira, dia 4, e quinta-feira, dia 7.  A definição das vagas ocorre nesta quarta-feira, dia 29.
Os barcos do game são da classe ACC (antigos barcos da Americas Cup) e as regras de disputa da World Sailing, a federação mundial de vela . A organização fica por conta de Francisco Freitas, medidor de barcos de oceano da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano, a ABVO, membro do barco de oceano San Chico, do Clube de Jangadeiros, de Porto Alegre (RS).
O II Virtual Skipper Brasil Open tem os apoios da ABVO, da CBVela e da Federação de Vela do Rio Grande do Sul. Mais informações podem ser coletadas no portal https://bordocerto.com.br/virtualskipper