Gerente de Eventos da CBVela destaca parceria com a ABVO e a importância da Vela de Oceano

Vela de Oceano torna o velejador mais completo, diz Walter Böddener

Crédito: Aline Bassi / Balaio de Ideias

Walter Böddener nunca disputou uma Olimpíada como velejador e nem uma grande competição internacional, mas se desenvolveu como grande nome da Vela brasileira como treinador, levando Torben Grael e Marcelo Ferreira ao Ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004 além de ter trabalhado em  Olimpíadas com Robert Scheidt onde foi Prata em Pequim 2008 e na equipe nacional de vela em grandes competições.

Aos 53 anos de idade, ele hoje é Gerente de Eventos da CBVela e acompanha de perto a 48ª edição da Semana de Vela de Ilhabela como um dos cinco convidados da entidade. 

Bôddener conversou com a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano e destacou a importância da competição para o esporte no país e da Vela de Oceano na formação dos jovens talentos. Ele acrescentou que velejadores Olímpicos de sucesso usam os barcos grandes para se tornarem cada vez mais completos. E ainda comentou a diretriz da ABVO pela unificação da regra ORC para p Brasil. A regra é única reconhecida de Oceano pela World Sailing.

Böddener ressaltou a parceria recente com a ABVO que começou durante o início da pandemia com a realização de diversas lives em prol do esporte no país.

ABVO - Nos conte um pouco mais sobre você, como começou na Vela ?

Böddener - Aprendi a velejar no barco Guanabara com meu pai. Velejei um pouco de Optmist e velejei muito de Pinguim que era um barco muito popular na minha época de garoto com 16, 17, 18 anos , depois fui pro Snipe, foi o maior aprendizado que tive na Vela, aprender a regular, trimmer de barco, tática, daí velejei muito na Oceano, sempre que posso. Tenho um Snipe também para ter essa opção. Velejei um pouco de Laser. Cheguei a ter um nível internacional, mas nunca Olímpico ou Pan-Americano e muito cedo comecei a trabalhar como técnico, aois 19 anos, foi onde fiz e construí minha carreira. Sempre velejei muito como proeiro , menos como timoneiro , classe Oceano eu timoneei bastante, barco em Niterói pessoal gostava como eu tocava o barco e tal , velejei bastante de Oceano no leme no barco chamava Super Pimpo, fiz várias Santos-Rio, Circuito Rio, Cabo Frio, Búzios.

ABVO - Você é treinador de Vela. Qual sua trajetória e o momento mais marcante ?
Böddener - Fiz campanha com o Torben Grael e Marcelo Ferreira para Atenas 2004 onde conquistamos o Ouro na Star, Pequim 2008 com o Robert Scheidt e Bruno Prada na Star com a Prata. Três Jogos Pan-Americanos em Sto. Domingo 2003 (com dois Ouros), Rio 2007 (Ouro na J-24) e Lima 2019 com um Ouro e uma Prata. Fui também nos eventos-teste para Tóquio em 2018 e 2019, fui ainda Gerente de Competição da Vela na Rio 2016 e fiz mais cinco mundiais da juventude.

ABVO - Como você está vendo esse retorno da Semana de Vela de Ilhabela após a ausência ano passado ? Qual a importância dele no calendário da vela do país ? 

Böddener - Estou como juiz na comissão de protesto , mas também representando a Confederação Brasileira de Vela apoiando o evento com cinco oficiais de regata além de mim que sou Gerente de Eventos da CBVela , o Samuel Gonçalves e Lara que estão na área de divulgação e a Thaís na área de apoio administrativo de inscrição, resultado e no dia-a-dia do evento. É o maior evento da Vela Oceânica da América do Sul, de uma importância muito grande que reúne os maiores velejadores do Brasil e do continente , é prioridade 1 no calendário e que já existe há muito tempo com essa data e todo o Brasil se programa para vir para a Semana de Vela. É dos eventos mais importantes da Vela brasileira."

ABVO - Como você avalia a parceria ABVO com a CBVela ?

Böddener - Ela foi iniciada ano passado com a oportunidade que surgiu com a realização pelas Lives que fizemos no início da pandemia com Torben Grael, Lars Grael, o próprio Mario Martinez e grandes nomes da Vela Oceânica falando da história da Santos-Rio que deram muita repercussão e com isso a classe se aproximou bastante da CBVela. Fizemos contatos, o Mário com o presidente da CBVela o Marco Aurélio e acredito que nossa vinda para a Semana de Vela de Ilhabela e temos interesse de ir a outros eventos como a Refeno, Ubatuba, Circuito Rio, acho que os frutos serão para ambos, primeiro para estimular a Vela Oceânica e em segundo para a CBVela estar presente nesses eventos muito importantes"

ABVO - Qual a importância da Vela Oceânica no desenvolvimento de nossos velejadores ? 

Böddener - A Vela Oceânica no Brasil tem muita tradição tanto aqui quanto em campeonatos fora como Buenos Aires - Punta del Este, Admirals Cup, a The Ocean Race. Faz parte da formação do velejador a Vela de Oceano pro adolescente, a criança trabalhar o senso de equipe, regulagem de barco , aprender com os mais experientes, velejadores que estão há mais tempo na água , é uma oportunidade importante na formação para o velejador em geral mesmo o especialista como Martine Grael e Kahena Kunze, Marco Grael , Samuel Albrecht é um excelente velejador de Oceano. Faz parte da formação do velejador de Oceano . Faz parte da formação de um velejador completo e nós temos uma tradição muito grande na classe Oceano"

ABVO - Tivemos durante a Semana de Vela a Regata do Amanhã com cerca de 40 crianças de adolescentes de quatro projetos sociais participando no começo da semana.

Böddener - Essa iniciativa do Yacht Club de Ilhabela junto com a ABVO e a Prefeitura foi um sucesso total, estive presente no clube, acompanhei em terra. Essas iniciativas deixam uma semente. Essas crianças vão lembrar com certeza desses momentos daqui a muitos anos, colocar a emoção na memória delas de estar em um barco maior com velejadores experientes, aprendendo, escutando e agindo, caçando uma vela, uma catraca, folgando um grande em barcos com dimensões maiores que para uma criança é uma vivência inesquecível"

ABVO - Esse espírito de coletividade da Vela de Oceano pode ajudar no desenvolvimento dos mais jovens ? 

Böddener - Com certeza. A entrada na Vela é muito hoje no Brasil na classe Optmist, muito também no Kite ou na prancha. Na minha época de jovem geralmente velejamos muito de Oceano, entravamos onde tinha lugar paralelo ao Optmist, ao Pinguim, buscando um lugarzinho nem que fosse na proa para aprender com os mais experientes . Acho que é importantíssimo na formação do velejador, trabalho de equipe, assumir posições que parecem não ser tão importantes , mas que são decisivas para a performance de um barco. Um proeiro é tão importante como um timoneiro como o trimmer do grande, do balão. Esse espírito de equipe, de coletividade , acaba motivando os velejadores que não tenham sucesso na Optmist, mas não quer dizer que não virem grandes velejadores, pelo contrário podem ser grandes trimmers, de mastro, podem ser estudiosos e ótimos proeiros. O timoneiro sem o proeiro não vai a lugar nenhum. Classe Oceano é excelente para a coletividade, motivação e formação".

ABVO - Como você vê nossos jovens velejadores, nossa nova safra e a importância da conquista do Alex Kuhl no Mundial de Optmist, feito inédito para o país ?

Böddener - A Vela Jovem está passando por uma excelente fase , temos o Alex Kuhl com um título inédito Mundial. Nesse momento está ocorrendo o Brasileiro de 420 com 34 duplas , fato inédito esse número de barcos e bem acima do segundo maior número que foram 24 ou 26. Excelente o trabalho. A classe 29Er, excelente classe formadora e eventos com cada vez mais barcos. A prancha à Vela, nova IQFoil também com safra nova de velejadores e o kite que é a grande novidade com muitos talentos, principalmente no Norte e Nordeste como Maranhão, Fortaleza, Pernambuco, Santa Catarina, São Paulo. Vivemos uma grande fase com o Optimist voltando a crescer. O importante é colocar um foco na transição do Optmist para a Vela Jovem e também oportunizar eventos como esse para os jovens virem participar. Estamos estudando opções oportunizar velejadas na classe HPE25, é um barco interessante para a formação de jovens velejadores 

ABVO - A ABVO recentemente unificou a classe ORC destacando como a principal do país seguindo o padrão mundial onde essa classe é a única reconhecida pela World Sailing . A CBVela apoia ?

Böddener - É uma questão da classe oceano, sabemos que existem outras medições que correm inclusive aqui em Ilhabela e existem outros ratings pelo Brasil como em Brasília, Angra dos Reis. Sendo bom para a ABVO (essa unificação), ela terá total apoio da CBVela. Temos aqui 18 barcos em Ilhabela da ORC, temos também 18 Bicos de Proa, e bastante da RGS. Essa sempre foi a realidade da Vela de Oceano com diferentes sistemas de medição e se a ABVO entende que a ORC é o melhor sistema para o Brasil, a CBVela apoia"