Novos Rumos da Vela de Oceano

Amigos velejadores da Vela de Oceano,

 

Após meses distante da ABVO, tive uma reunião com o Comodoro Paulo Freire, com o Diretor Técnico Pierre Joullié e meu amigo Alte. Casaes.

 

Tentei entender quanto a necessidade dos comandantes de veleiros de Oceano de terem que escolher entre as regras ORC ou IRC. Até a temporada 2015 era permitido que o veleiro participasse simultaneamente nas 2 regras de handicap.

A ideia atual da ABVO é a de diferenciar as regras e o formato das regatas.

 A escolha por qual regra competir, é do livre arbítrio de cada comandante de veleiro de oceano, desde que possua elegibilidade na regra escolhida. É o caso da escolha dos monocascos de oceano pelas regras RGS; IRC ou ORC.

Nos veleiros de oceano multicascos, a regra única é a internacional MOCRA promovida pela FREVO e reconhecida e apoiada pela ABVO.

 

 RGS

A regra RGS é uma regra desenvolvida no Brasil à partir da antiga regra RHC. É administrada pela Associação da BRA/RGS e reconhecida pela ABVO (e consequentemente pela CBVela) desde 2012. A regra RGS é uma regra simplificada e de fácil acesso. Visa competições em regata de veleiros de oceano com perfil mais de cruzeiro e bonifica estes barcos pelos fatores de cruzeiro que efetivamente possuem.

Proprietários de barcos RGS não possuem obrigatoriedade de associação a ABVO, embora esta associação seja altamente recomendada no sentido do fortalecimento da Vela de Oceano como um todo. Associados da ABVO possuem descontos em serviços (descontos em velerias e seguradora por exemplo) e competem (somente os associados) pela já consagrada Copa Brasil de Vela de Oceano.

 Alguns eventos limitam a participação específica a associados da ABVO. Caso da Búzios Sailing Week de 2016.

 As regatas da regra RGS busca sempre uma classificação geral, apesar de cada evento poder dividir a competição em categorias por faixa de tamanho, ou, por divisão eminentemente de veleiros de cruzeiro como o caso das divisões “RGS Silver”, ou, “RGS Cruiser”. O cálculo do tempo corrigido é feito por coeficiente multiplicador ,no caso o TMFAA.

Os veleiros clássicos no Brasil competem entre si através da regra RGS, por critério definido por diretoria específica da ABVO.

Outras regras existem no Brasil para barcos de oceano, mas sem homologação nacional.

 

ORC

A ABVO passa a direcionar a regra ORC para barcos eminentemente de regata, ou, barcos projetados para esta regra. Pretendem na regra ORC, concentrar barcos com tripulações com profissionais, equipes semiprofissionais, barcos com patrocínio e num formato de regatas mais próximo dos monotipos,ou seja, regatas Barla-Sota num formato mais próximo da Vela Olímpica.

 Cabe lembrar que a regra ORC é uma regra internacional que sucede a antiga regra IOR, mais tarde convertida na regra IMS e posteriormente na regra ORC. A ABVO representa a ORC no Brasil desde o início dos anos 70. É a regra de veleiros de oceano oficial da Federação de Vela Internacional – ISAF. Regra que possui elementos mais complexos de medição como medição de flutuabilidade e estabilidade do veleiro. A regra ORC possui formas de gerenciamento e as regatas podem ser gerenciadas para as condições específicas de percurso; vento e correntes marítimas.

 

IRC

A regra IRC igualmente internacional, foi desenvolvida como regra de integração do Canal da Mancha (Chanel Handicap Rating – CHP) unindo sobretudo a Vela de Oceano entre o Reino Unido e a França. Passou a ser adotada por vários países. Possui sistema de medição mais simples que a ORC e o fator pesagem das embarcações é preponderante. Foi introduzido pela ABVO no Brasil em 2013 e já organizou campeonatos brasileiros em 2014 e 2015.

A ideia da ABVO é direcionar a regra IRC para barcos de regata/cruzeiro. Barcos que foram concebidos para velocidade, e livre dos clichês das regras de rating /handicap. Barcos velozes, mas com tripulações amadoras, grupos de amigos e família. Regatas com predominância de formato de percursos (em volta de ilhas ou marcas geográficas) e menos manobras. O calculo do handicap é feito por multiplicador constante no caso, o coeficiente do TCC.

Pelo que entendi, as regatas da IRC, terão partidas e por vezes, percursos distintos dos competidores da regra ORC.

 

Tendências

No plano internacional, a regra ORC promove Campeonatos Mundiais, Campeonatos Europeus e Sul-Americanos, além de atuação na Ásia, Oceania e África do Sul.

 A regra IRC cresce num nível de equiparação à regra ORC e já organizará seu primeiro Campeonato Europeu. Também chegou aos 5 continentes.

 Na publicação oficial da Vela de Oceano, a britânica revista Seahorse já se fala em tratativas para uma possível unificação da regras ORC e IRC. Será? O tempo dirá.

  

ABVO – Associação Brasileira de Veleiros de Oceano

 A ABVO foi fundada em 1955 para organizar e promover a Vela de Oceano no Brasil. Junto com os irmãos argentinos (Yacht Club Argentino e ICRJ), a ABVO atuou na promoção da Regata Buenos Aires – Rio. Na  integração do Iate Clube Rio de Janeiro – ICRJ com o Iate Clube de Santos, a ABVO organizou desde sua fundação a mais tradicional regata de Oceano do Brasil, a Regata Santos-Rio.

 A ABVO viveu anos difíceis e hoje é uma entidade saudável, integrante da Confederação Brasileira de Vela – CBVela e bem administrada pelo Comodoro Paulo Freire  e sua competente equipe.

Com toda crise no país, o numero de veleiros de oceano filiados continua a crescer. Faça a sua parte. Prestigie. Filie-se a ABVO www.abvo.org.br

 

Bons Ventos,

 Lars S. Grael

Associado ABVO

Ex-Comodoro da ABVO de 2012 a 2015

 

Presidente da International Star Class Yacht Racing Association – ISCYRA