ORC – Deixando as coisas mais equilibradas

Já faz alguns anos a frota de veleiros de regatas offshore e oceano vêm passando por uma evolução e desenvolvimento nas velas de ventos francos, tanto para barla-sota como de longa distancia. Esses barcos leves e rápidos quando em ventos abertos conseguem levar o ângulo de vento aparente AWA pra frente do través, incluso nos ângulos más abertos, conseqüentemente a tecnologia das velas de proa de enrolar sem cabo guia vem crescendo e se desenvolvendo. Por outro lado, as contorções que os projetistas de velas fazem para obter uma vela de franco fechado que entre dentro da categoria de balão parecem contra produtivas.

Com todos esses desenvolvimentos acontecendo no mundo todo, o Comitê Técnico Internacional (ITC) da ORC decidiu produzir handicaps para barcos que carreguem Velas de Proa Mareadas Voando (Head Sails set Flying – HSF), ou seja, velas que não içam no estai de proa, de qualquer envergadura. Uma série de coeficientes de forças aerodinâmicas foram implementadas no espaço que antigamente existia na Regra para fazer uma ponte entre velas com Envergadura Média de 50% (bujas) e 85% (balões assimétricos). Até 2019 o VPP contemplava uma variação gradativa dos coeficientes das forças de empurre e resistência entre as velas montadas no estai e os assimétricos. De esta forma todas as velas com até 50% do HSF e os balões assimétricos com mais de 85% terão o mesmo trato que em 2019, só que agora as velas intermediarias com 50,1% até 84,9% terão um handicap que varia coerentemente ao tamanho.

Isto significa que todas as velas assimétricas HSF com proporção inferior a 85% terão um handicap especifico nos Certificados ORCi 2020 e por diante. Os certificados de cada barco agora terão registrado as dimensões e áreas de cada vela HSF e balões com envergadura média abaixo de 85% que sejam carregadas a bordo.  O VPP computa cada vela e determina o melhor desempenho produzida por cada uma. Isto é um avanço importante sobre o cálculo anterior que previa a performance da maior vela de cada tipo no inventario.

Este refinamento do VPP vai ajudar no desenho de novas HSF´s para aqueles que escolham carregar este tipo de velas e é um desenvolvimento bem positivo. E todos aqueles que decidam não adquirir nem botar no inventario HSF´s não terão nenhuma desvantagem porque o Certificado não vai incluir a contribuição á performance do barco dessas velas.

É uma melhoria notável no VPP; tínhamos que resolver a questão que bujas e balões têm suas áreas medidas de forma diferente e adaptar o VPP para que contemple especificamente cada vela individual e não simplesmente a maior de cada. É um passo á frente o VPP mostrar como de fato o barco é velejado. Os diagramas polares de Guia de Velocidades (Speed Guide) de 2020 vão mostrar os cruzamentos das curvas de performance do maior balão, qualquer assimétrico menor (com envergaduras médias entre 75% e 85%) e todos os HSF´s entre 50% e 75% de envergaduras médias além da vela de proa.

De todas as formas isto não significa que você tem que correr a comprar uma vela nova que se encaixe dentro deste leque. Estamos muito cientes de necessidade de manter as custas de um barco de regatas dentro de parâmetros normais e de não encorajar gastos supérfluos para ser competitivo. Como a ORCi pode ratear o desempenho em função do percurso velejado e das condições de vento reinantes as polares previstas só mudam quando uma determinada vela é içada, então handicaps são afetados só quando essa vela é de fato utilizada.

Artigo assinado pelo Andy Claughton publicado na revista Seahorse de Abril 2020.

Tradução livre do Manolo Bunge