O espetáculo da vela tomou conta do Marco Zero neste sábado (27/9), com a largada oficial da 36ª Regata Internacional Recife-Fernando de Noronha (Refeno). Com as velas içadas, 95 embarcações iniciaram a travessia de 300 milhas náuticas (560 km) até o arquipélago, sob aplausos do público que acompanhou o evento à beira-mar.
A saída foi dividida em cinco grupos a partir do meio-dia, com os favoritos ao Fita Azul — Adrenalina Pura, Ohana28, Boto V e Maré XX — largando às 14h. Entre os contratempos, o Patoruzú ficou fora da prova por problema no mastro, o Aliena teve falha no piloto automático, o Bahia Cat apresentou defeito no motor e o Maracatu encalhou em Serrambi.
As 95 embarcações representam 15 estados brasileiros e quatro países estrangeiros. A flotilha do Rio de Janeiro lidera com 20 veleiros, seguida de São Paulo, com 18 — incluindo o Pura Vida, comandado por Carla Silva Lopes, com tripulação 100% feminina formada por oito mulheres. Em seguida vêm Bahia (14) e Pernambuco (12), além de Santa Catarina (6), Rio Grande do Sul (4), Paraná (3), Sergipe (3), Espírito Santo (2), Rio Grande do Norte (2), Paraíba (2), Maranhão (1), Minas Gerais (1), Goiás (1) e Distrito Federal (1). No grupo internacional, estão os argentinos San Salvador, Huyara e Intrepid, o dinamarquês Odara e o australiano Shamaness, estreante na Refeno.
“Por aqui está tudo muito animado, clima de festa total no Cabanga Iate Clube. Vamos ter um vento um pouco diferente este ano, mais aberto do que o habitual, e o mar também está mais agitado, o que traz novos desafios. Mas, como sempre, deve ser uma velejada maravilhosa até Noronha. O mais importante é pensar em segurança — chegar lá já é um grande prêmio. O restante é bônus. Estamos prontos para a largada, prevista para as 12h30, e esperamos bons ventos a todos os participantes”, afirmou Felipe Ferraz, comandante do Beleza Pura.
Segundo Bayard Neto, comodoro da Associação Brasileira de Vela Oceânica (ABVO), a Refeno mantém sua tradição como uma das regatas mais importantes do calendário oceânico. “A Refeno é um marco da vela brasileira, unindo esportividade, confraternização e o desafio da navegação oceânica. A presença de embarcações de diferentes estados e países mostra a força do evento e o quanto ele representa para a comunidade náutica. Para a ABVO, é uma honra contribuir tecnicamente com uma regata dessa grandiosidade”, destacou Bayard.
Criada em 1986, a Refeno nasceu do sonho do velejador Maurício Castro e se consolidou como um dos maiores eventos náuticos da América do Sul, atraindo competidores nacionais e estrangeiros.
O Fita Azul de 2024 foi conquistado pelo Adrenalina Pura, que cruzou a linha de chegada no Mirante do Boldró com 18h49min25s, o quinto melhor tempo da história da regata. Maior campeão da Refeno, o barco pernambucano busca agora sua 10ª vitória sob o comando de Gustavo Borges Pacheco, com os proprietários Avelar Loureiro, Humberto Carrilho e Cecília Peixoto.
A Refeno também é reconhecida por suas ações sociais. Nesta edição, a novidade é a ação veterinária, em parceria com o Núcleo de Vigilância Sanitária de Noronha (NVA) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que ocorre entre 26 de setembro e 4 de outubro. Também serão realizadas atividades no Hospital São Lucas, na Casa de Justiça e Cidadania, na Creche Bem-me-quer e na Escola Estadual Fernando de Noronha.
Pelo segundo ano consecutivo, o Refeninho integra a programação. O projeto leva alunos da Escola Arquipélago de Fernando de Noronha para passeios ecológicos em embarcações participantes, em parceria com o ICMBio, reforçando o compromisso do evento com a educação ambiental e a formação cidadã.
Sobre a ABVO
Fundada em 1955, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano é a única entidade de promoção da Vela de Oceano no Brasil. Braço oficial da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), a ABVO é responsável por organizar competições anuais e contribuir para o legado de um dos esportes mais vitoriosos do país, tanto nas classes olímpicas quanto nas não olímpicas.
A ABVO tem o santista Bayard Umbuzeiro Neto como Comodoro, o bicampeão olímpico Torben Grael como 1º Vice-Comodoro, e Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, como 2º vice-Comodoro.
Dentre os objetivos da atual gestão, estão promover a otimização e a racionalização do calendário nacional, estreitar o relacionamento com os clubes para viabilizar eventos e agregar um maior número de barcos participantes das diversas flotilhas regionais, oferecer suporte técnico em todos os níveis para as competições, otimizar a apuração instantânea dos resultados e articular com o Governo Federal incentivos tributários e melhores condições para a importação de embarcações, entre outros.