Torben Grael busca a nona vitória na travessia; campeonato tem 48 barcos inscritos, quatro classes e equipes campeãs das principais competições do país
O Campeonato Brasileiro de Oceano 2026 começou nesta quinta-feira (22) com a largada da 76ª Regata Santos-Rio, reunindo campeões olímpicos, equipes de destaque internacional e diferentes gerações de velejadores. Realizado pela Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), em conjunto com o Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro, o campeonato tem 48 barcos inscritos e reúne, pela primeira vez, as quatro principais classes da modalidade: ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos.
Às 12h10, os 35 veleiros que disputam a etapa de abertura partiram de Santos rumo ao Rio de Janeiro. Outros 13 barcos se juntarão à flotilha para o 57º Circuito Rio, de 30 de outubro a 2 de novembro, dando continuidade à disputa dos títulos brasileiros.
Antes da largada, o tradicional desfile de barcos levou as equipes ao Píer dos Pescadores, às 10h30. A banda da Marinha do Brasil acompanhou a apresentação dos veleiros, celebrando o início de uma das mais tradicionais travessias do país.
Torben Grael e equipes campeãs elevam o nível da ORC
A presença de Torben Grael a bordo do Magia IV é um dos destaques de uma disputa especialmente forte na ORC. Bicampeão olímpico e dono de cinco medalhas nos Jogos, o velejador busca a nona vitória no tempo corrigido na Santos-Rio. Torben também é recordista de Fitas Azuis da prova, com sete chegadas em primeiro lugar. A bordo do Magia IV estão nomes de peso da vela brasileira: Andrea Grael, a bicampeã olímpica Martine Grael, Marcelo Ferreira, também bicampeão olímpica, e a novata Duda Serrão, destaque da nova geração na classe ILCA 6.
Entre as principais equipes está o Crioula 52, de Eduardo Plass, atual campeão brasileiro da ORC. A flotilha conta ainda com o projeto Phytoervas 4Z, vencedor da Santos-Rio e do Circuito Rio em 2025. Nesta edição, a equipe de Marcelo Bellotti estreia o Onda Phytoervas, barco campeão do Super 40 na Semana Internacional de Vela de Ilhabela deste ano.
A reunião de barcos com características distintas e tripulações experientes promete uma disputa equilibrada no tempo corrigido, classificação que aplica o rating de cada embarcação ao tempo de percurso. Representante da ORC no Brasil, a ABVO é responsável pela gestão da regra no país e pelo apoio técnico aos clubes organizadores.
Na Bra-RGS, Eduardo Harabedian, comandante do Nativo 3, inicia a defesa do título brasileiro conquistado em 2025. Campeão também em 2017 e 2020, o velejador de Angra dos Reis está entre os nomes experientes da competição. A travessia reúne ainda veteranos como André Mirsky e Pierre Joullié, exemplos de uma ligação com a Santos-Rio que atravessa décadas e histórias de família.
Estratégia e resistência desde a saída de Santos
A flotilha encontrou vento leste logo na saída da Baía de Santos. A previsão é de que essa condição se mantenha pelo menos até a altura de Ilhabela, colocando os barcos no contravento durante a primeira metade do percurso, com ondas de proa. O cenário acrescenta um desafio de resistência física e exige atenção à escolha dos bordos, à manutenção da velocidade e à distribuição do trabalho entre os tripulantes.
“Este Brasileiro reúne muito do que queremos fortalecer na vela oceânica: campeões olímpicos, equipes de alto nível, velejadores experientes e barcos de diferentes classes participando do mesmo campeonato. Na ORC, temos uma flotilha com qualidade para uma disputa muito equilibrada. E a Santos-Rio já começa exigindo estratégia e resistência, características que fazem parte da identidade dessa regata. Para a ABVO, realizar essa competição com os clubes é valorizar nossa história e criar condições para que a modalidade continue crescendo”, afirma Bayard Neto, comodoro da ABVO.
Travessia terá peso obrigatório na disputa do título
Após aproximadamente 200 milhas náuticas, os barcos concluirão a Santos-Rio na região da Ilha Rasa, fora da Baía de Guanabara. A nova chegada atende a uma demanda dos velejadores e busca reduzir a influência das calmarias e correntes da entrada da baía no desfecho da prova.
O resultado da Santos-Rio não poderá ser descartado na classificação do Brasileiro de Oceano e será o primeiro critério de desempate. Na sequência, as regatas do Circuito Rio terão pesos progressivos, ampliando a importância dos resultados ao longo do campeonato e mantendo a disputa aberta até o último dia, em 2 de novembro.