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Crioula 52 conquista o Fita Azul da 76ª Santos-Rio após travessia de resistência e estratégia 24 de out de 2026 | Notícias

Crioula 52 conquista o Fita Azul da 76ª Santos-Rio após travessia de resistência e estratégia


Barco de Eduardo Plass chegou à Ilha Rasa na madrugada deste sábado (24). Regata abre o Brasileiro de Oceano 2026, organizado pela ABVO em conjunto com os iate clubes de Santos e do Rio de Janeiro

O Crioula 52, de Eduardo Plass, conquistou o Fita Azul da 76ª Regata Santos-Rio ao cruzar a linha de chegada na Ilha Rasa, no Rio de Janeiro, à 1h33min27s deste sábado (24). A tripulação foi a primeira a completar uma travessia marcada por extremos: vento forte e mar contra desde a largada em Santos, na quinta-feira (22),com rajadas superiores a 30 nós, seguidas por uma redução do vento que exigiu paciência e novas decisões das tripulações, na aproximação ao Rio.

A regata abre o Campeonato Brasileiro de Oceano 2026, organizado pela Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), pelo Iate Clube de Santos e pelo Iate Clube do Rio de Janeiro. O campeonato reúne 48 barcos inscritos, dos quais 35 participaram da largada da travessia. Os demais se juntarão à flotilha no Circuito Rio, de 30 de outubro a 2 de novembro.

O segundo barco a chegar foi o Bravo Soto40, de Jorge Berdasco, às 11h40min20s. Apenas cinco minutos e seis segundos depois, às 11h45min26s, o Onda Phytoervas completou o percurso, na estreia do veleiro pela equipe Phytoervas 4Z. Na sequência, chegaram o Duma, às 12h34min58s, e o Inaê Soto40, às 13h25min02s.

“Optamos por fazer uma passagem por dentro de Ilhabela esse ano, procurando preservar o barco e dar melhores condições para a equipe descansar e se reorganizar a bordo. Eu acho que foi uma decisão bem acertada, tivemos uma boa passagem pelo canal de São Sebastião”, contou Samuel Albrecht, tático do Crioula 52.

Na segunda parte da travessia, a redução gradual da intensidade do vento deu lugar a outro desafio: conseguir avançar nas milhas finais. “Foi um desafio enorme também lidar com essa frustração de ficar quatro horas para navegar as últimas três milhas finais da regata. Mas nos superamos e, além de ser Fita Azul, a gente tem grandes chances de ganhar a regata no tempo corrigido. Isso é um grande início para o Campeonato Brasileiro da próxima semana”, avaliou o tático.

Vento forte, mar contra e mudança de cenário

Desde a largada e até o fim da sexta-feira (23), os ventos dos quadrantes leste e nordeste impuseram uma navegação de contravento, com ondas contra os barcos. Segundo Ricardo Baggio, o Kadu, diretor de vela do Iate Clube do Rio de Janeiro, a persistência dessas condições tornou a travessia especialmente exigente.

“Foram mais de 24 horas de vento e mar contra, o que exige muito do barco, dos equipamentos e das tripulações”, explicou.

Até o início da tarde deste sábado, a organização havia registrado sete desistências: quatro barcos da RGS-Cruiser, dois da ORC e um da Bra-RGS. De acordo com Kadu, a maior parte ocorreu por quebras de equipamentos ou avarias, com maior incidência entre os veleiros da RGS-Cruiser.

Depois do período de vento forte, a intensidade diminuiu até ficar muito fraca, retardando a aproximação dos barcos ao Rio de Janeiro. A entrada do vento sudoeste, no meio da manhã deste sábado, voltou a impulsionar a flotilha e permitiu a sequência de quatro chegadas entre o fim da manhã e o início da tarde.

A expectativa inicial da organização era de uma travessia mais rápida com a chegada na Ilha Rasa, dispensando a aproximação da Baía de Guanabara, onde a redução do vento e a influência das correntes de maré podem dificultar o avanço dos veleiros. A mudança das condições ao longo do percurso, entretanto, prolongou a regata.

A entrada do vento sudoeste, no meio da manhã de sábado, voltou a impulsionar a flotilha. Na avaliação divulgada pela organização no início da tarde, a expectativa era de que os demais barcos em disputa chegassem até a madrugada de domingo (25).

Santos-Rio conecta a história da ABVO à disputa pelo título brasileiro

A presença da Santos-Rio no Brasileiro de Oceano também reforça o vínculo histórico entre a regata e a entidade que representa a vela oceânica no país. Bayard Neto, comodoro da ABVO, destacou que incluir a travessia no campeonato foi uma prioridade da organização.

“A Regata Santos-Rio é a regata que deu origem à Associação Brasileira de Veleiros de Oceano. Então a gente fez questão de fazer um Campeonato Brasileiro onde a Regata Santos-Rio fizesse parte”, afirmou.

Na pontuação do Brasileiro, a Santos-Rio tem peso 1 e não pode ser descartada. Assim, o desempenho na travessia acompanha os barcos na disputa pelo título, que prossegue nas regatas do Circuito Rio. A edição de 2026 reúne ORC, Bra-RGS, Clássicos e RGS-Cruiser. 

Bayard, que também disputou a travessia a bordo do Inaê Soto40, relatou rajadas de até 35 nós e mudanças constantes nas condições ao longo do percurso.

“Sabíamos que seria uma regata bastante dura, bastante intensa, e uma boa estratégia seria necessária”, disse. “Como comodoro, a gente está feliz porque tivemos um número muito expressivo de participantes em uma das regatas mais tradicionais do país, na sua 76ª edição.”

Resultados: Sail Race

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